Domingo, 23 de Março de 2008

Mais sobre musicalidade e ritmo

Quando eu disse que cavalheiros deviam fazer essa aula também, falei sério.

Dançar sem música é possível, mas no salão... entender o que a música quer te dizer é fundamental. E não é apenas entender o que diz a letra, mas o andamento, as variações de voz ou de arranjos, ora mais suaves, ora mais fortes... às vezes numa mesma música! E as pessoas lá, dançando como se essas variações não existissem, apenas reproduzindo os passos que aprenderam na academia.

Entendo que as motivações para se aprender dança - e, principalmente, a dança de salão, que além de tudo te possibilita uma vida social - são várias. A minha, por exemplo, foi a paixão por um certo gênero musical. Escrevo sobre música numa revista razoavelmente importante, aprendi a tocar instrumentos e a usar minha própria voz como instrumento, aprendi a dançar tocando, tive aula de música na escola... mas ninguém precisa disso tudo. Basta saber curtir o som que vem das caixas, respondendo com o corpo ao que a música tenta nos dizer. Uma batida marcada pede um pé batendo, uma melodia sinuosa pede uma ondulação do corpo... quer um bom exercício? Ouvir, curtindo e tentando responder, a Rhapsody in Blue de George Gershwin. Não é exatamente uma música fácil para dançar, mas é uma música divertida para entender música (e, na minha modesta opinião, a música mais bonita do universo).

Aqui, a Parte 1 (para ouvir on-line ou para baixar).
Aqui, a Parte 1 (para ouvir on-line ou para baixar).

Pra ficar mais interessante ainda, segue a versão em desenho animado, do filme 'Fantasia 2000', da Disney:

Parte 1:


Parte 2:


Na aula, aprendemos a contar até oito e a encaixar os passos (ou acordes!) nessa contagem - o que geralmente funciona. Mas a dança fica muito mais divertida quando a gente responde às nuances da música, às paradinhas, ao andamento (gente, créu não, tá?) ali mesmo, na pista - a música te informa e você devolve, no ato, essa informação - podendo até voltar para o 'oito' básico, se a música pedir.

E pra que dançar se não é pra se divertir, né não?

A má notícia é que você pode até aprender a entender a música, mas sem amor à arte, sem ter momentos de intimidade - você e a música, sozinhos, no quarto, no banho, na hora da faxina rodopiando com a vassoura pela sala, cantando junto e feliz a plenos pulmões ou chorando baixinho por causa de uma melodia ou letra que te tocou lá no fundo - não tem jeito.

Saber fazer passos, conduzir bem (ou se deixar conduzir), isso tudo também é fundamental, mas saber interagir com a música é meio caminho andado e ter tesão no que você está fazendo é a outra metade do caminho (já viu dançarino burocrático por aí? tem aos montes!!).

O resto é técnica, e técnica se aprende, sim. Mas paixão... aí vem do coração de cada um. A sua paixão está aonde?

A minha está saindo da caixa de som AGORA.

1 comentários:

Anônimo disse...

Lia gostei muito do q vc disse sobre dança.Vc passou para mim e acho q tbm para todos, q vc tem paixão a dança.Acho isso muito legal, pq vc faz o q gosta,e tbm sabe apreciar uma boa música e não tem vergoha disso.
Vc até me animou a dançar, sabe eu sou meia sem ritmo, por isso nunca tento, mais acho q depois de suas palavras vou tentar.Ainda mais agora q sei como começar, q é conhecendo e sentindo a música.
E eu gostaria de lhe dizer q continue assim, correndo atrás do q realmente gosta sem ter vergonha,não deixe que o que as pessoas dizem distrua seus sonhos, sempre siga em frente, mas sem prejudicar ninguem.E com sua conciencia limpa, livre de atos sordidos.

Siga em frente!
Grata pelas palavras!

Bjus,Samia!